d da dan dani danie daniel,
hoje comprei mais um livro do camus e não parei de pensar em você, "por isso eu te liguei". voce vai gostar muito do camus, vou apresentá-lo: ele é muito bom, sua escrita é parecida com a minha, o que não significa que eu seja boa, porque é parecida com a do proust. ele é um homem bom, os homens são bons, de família pobre na argélia. com vinte e dois anos escreveu um livro genial meio bobo, - afinal, tinha vinte e dois anos-, morreu novo e disse antes de morrer que "aqueles que os deuses amam morrem cedo", curioso que ele morreu num acidente e não com uma doença terminal, como eu esperava, principalmente, depois dessa afirmação.
aqui havia um parágrafo que eu fazia uma clara comparação sobre quem estou me tornando e quem eu já fui, mas de forma um pouco cínica, por isso o tirei. o cinismo faz parte de mim, principalmente agora, "now she's all proud of her name and stuff, just look at her", mas eu devo adestrá-lo. por não conhecer você não sei se te machucarei, é a última coisa que eu quero.
eu queria poder estabelecer uma relação gostosa com você, assim, acho isso possível, mas ignorando todo o resto que é blablablabalalalbabla... hehehe, não gosto de pensar no "senão" das coisas, principalmente em relação a nós dois. estou mais cínica porque leio mais camus e proust (entrei no segundo livro), você já me perguntou se eu acho que vivo a história, você diz as coisas certas sobre mim =)
que bom foi ouvir a sua voz, rapaz, rapaz, rapaz. você existe!
hoje eu estava na livraria, na livraria que comprei o camus, e um homem velho de barba branca passou do meu lado direito e observou a estante comigo. depois para o meu lado esquerdo. eu estava esperando uma pessoa que eu não sabia se existia para um encontro normal de duas pessoas, então encarei o velho homem que poderia ser o meu encontro e disse que poderia ouvi-lo se ele quisesse.
sentamos naquelas mesas do estação unibanco e fiquei ouvindo, ouvindo. achei que meu encontro era com ele, mas não era.
a pessoa que eu esperava existe e, por isso, apareceu; as pessoas estão sempre por'aí existindo, vivendo e respirando, não há nada de incomum nisso.
quando me despedi recebi um abraço forte, um cheiro diferente, um olhar morto, como se ele fosse morrer hoje mesmo, nu, perto da praia. senti culpa e alívio, tomara que me ouçam quando eu for velha ou, se os deuses me amarem, gostaria de morrer cedo.
essa chuva de outono deixa meu pé gelado.
e o seu?
com a ternura que sei dedicar à você,
aline alin ali al a
ps: queria falar sobre signos e símbolos com você, mas são três horas da manhã. tudo acabaria se começassem a conversar sobre signos e símbolos as três horas da manhã. abraços
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