sexta-feira, 30 de abril de 2010

Meu Diálogo com: Peter Brook

Eu:
- caída entre mil lençóis, leio palavras que parecem fazer o máximo de sentido. O MÁXIMO SENTIDO.

"tudo está certo e errado", diz o relógio
certo
errado
certo
errado
certo
errado
certo
errado

ecrerratdoo

ad infinitum

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Não tem nexo, é só espera

Queria absorvê-lo inteiro, até mesmo os medos
porque quando dói a gente grita
GRITA, OUVIU?
não.

Bem ou bem sou um espelho [já disse isso tantas vezes].
Olhe no fundo dos meus olhos porque verá você mesmo,
A gente só é verdadeiro quando ama
A piada moral [a sonoridade dessa frase faz parecer algo comum].

Sou o retrato da imaturidade e do sonho e ainda não sei lidar com o silêncio das palavras escritas, penso em Borges e gostaria de mandar isso tudo para o CARAJO, mas de forma lírica, dizendo que se eu pudesse viver novamente me preocuparia menos com assuntos tão bobos e teria mais problemas reais e renais (meu espanhol deixa a desejar de vez em quando).
Passo por uma fase de comprometimento comigo. Vejo-os, todos de nossa geração e das outras e eu mesma, perdendo um tempo precioso com conversas que não levam a nada e não sei o que fazer. Por isso esse apego à você, eu respeito você, respeito o suficiente para não falar qualquer idiotice. Até mesmo quando eu os falo sobre minha angústia dizem que você é apenas um amor meu, mas não compreendo isso! Você é o meu amor, não há como negar que você sempre será o meu amor, que eu nunca vou conseguir esquecê-lo e que nunca encontrarei ninguém parecido com você. As relações acabam parecendo sempre a sombra da que a passada não foi. Passado, presente.

Engulo seco esse desejo de me expor para você;
Toda vez que lembro da sua traição contínua levo para passear uma vontade terrível de vomitar, sinto um cheiro de pepino estragado, embebecido de cerveja. Eu e a Vontade vemos tudo, subimos as ladeiras, ouvimos os pássaros e olhamos os meninos semi-nus deitados no chão da cidade. Isso tudo soa muito pretensioso, percebe? Eu não sei como fazer para não ter esse tom. As vezes eu penso em me tornar um ser completamente integrado na natureza, porque até mesmo entre as ruínas sem humanos há flores crescendo sem pedir licença, sem pedir nada porque tem tudo o que precisa. Eu queria não precisar pedir nada. Queria compreender e não ser compreendia. Queria-o deitado no meu colo enquanto eu faço carinho em seus cabelos, beijo suas bochechas, entrego-me a todas as sensações mundanas. Isso é arte também. Mas o enjoo me dá vontade de morrer.

Estou numa cidade que me entedia agora, toda cidade que não me entendia é aquela que nada aprendo. Estou aprendendo isso.

A pena é a pior coisa que se pode ter e eu tenho pena de você. Tenho porque minha arrogância diz-me que você é apenas uma criança e que tem o direito de errar; eu tenho o direito de errar, de ser catedrática, mas isso não é uma defesa? Isso não é sinal da minha imaturidade?
PREPOTENTE! [grito eu mesma na cochia para um personagem suado, moreno maizena, com uma luz que cega sobre ele]
O egoísmo é ridículo, mas o tenho porque desejo muito você, porque me sinto feliz te amando e acredito no seu potencial, vê como isso é egoísta?
ARROGANTE! [o personagem responde para o nada]

Espero.
Espero que não minta para o ser que eu mais amo.
Nunca mais seremos os mesmos. Por isso, não sei o que fazer. Estou mais dura e boa, porque a vida é curta. Pode me ver girando de vestido ou gritando de raiva, não me contenho mais porque não vejo mais sentido para isso. A vida é muito.
Muito boa.

3 Beijos.
Três, como a santíssima trindade, como as três pontas de um triângulo isósceles, como um oito partido ao meio.

Rebe:
- Aline, todo triângulo tem três pontas...
Ich:
- Hã?

carta à Iuri

publico para não esquecer, a lembrança só existe quando a gente esquece, porque depois se lembra e esquece, se lembra e


acabei de voltar de uma peça, li sua resposta antes de ir para aula, mas pensei em responde-la so de noite, a peça se chamava "as noivas", era louca, iuri. varios discursos sobre a memoria, um desejo incontido de machucar e de ver os bombeiros, de ser tocada e vista. eu gostei porque combinou muito comigo. o teatro é experimental, vou te levar comigo assim que for pra sao paulo ou aqui no rio quando vier mesmo
XXXXXXXXXX
sobre voc, que foi o que eu perguntei, bem, confesso que gostei da resposta.
ai! iuri! a vida e' tao boa!
a gente, quer dizer, eu fico pensando no cosmos, no caos e na celula, aí eu penso na célula humana, na da formiga, na do gato... E A SOCIOLOGIA? ah! eu enlouqueço com a sociologia, querido...
é tudo tão tudo
e tudo é tão completo e ao mesmo tempo vago, porque até mesmo quando se constrói quatro paredes voc cria o vazio.
XXXXXXXX
gosto de cortazar e de joao cabral de melo neto, são muito, muito bons. não sou tao velha (nada velha, na verdade), mas posso dizer que foram autores importantes para mim quando eu era mais nova.
e eu também gosto muito muito muito de onibus. eu sempre digo ao meu companheiro de viagem, que é qualquer pessoa: "nada é melhor do que os encontros no transporte coletivo". sexta feira agora eu encontrei num bar um rapaz que eu li um poema ano passado no onibus e que depois encontrei por acaso no bloco de carnaval. ainda nao sei o nome dele, os
XXXXXXX
um amor real é bom.
XXXXXXXXXXXXXXX
o mundo não é pequeno, os acasos que são assutadores! mas nao tenha medo.
X
sabe por que X? é a incógnita, Iuri
X
beijos beijos beijos beijos
4 e um abraço fortíssimo.

não tem nexo, é só espera

começa assim: dois pontos e um ser acéfalo.
o ser sou. sou e não sei.
tanto tempo faz! a escrita é duas pontas querendo dar um nó. se eu falasse dos eventos separados, dos churros, da caminhada, estaria tentando apenas, apenas tentando; eu não quero tentar, quero saber falar com maturidade e força, sem oscilar. sem usar um tom infantil. o meu corpo fatigado deseja esvair até a morte, mesmo que eu não acredite na não existência, eu não acredito em nada.
muita espera, muita muita espera, uns dois ou tres atos sem razão, so random! e, depois, uma irremediável culpa e fome.

levo uma ânsia de vômito todos os dias para passear quando penso na vulgaridade;

estou cansada.
estou

domingo, 18 de abril de 2010

irmão sol

ficar vinte minutos falando wanda nos mais variados tons.

- o centro é belo!
falo em voz alta, entre uma rua que o nome está virado. desejo torná-lo arte imortal, mas não o represento rapidamente, deixo-o na memória para tirar dele o que há de mais importante na imagem. tenho medo da imagem porque as imagens servem para mostrar nossos medos.
leio camus, leio tudo do camus, faço-me estrangeira e penso no estrangeiro, todos eles. minha casa é minha pátria e só no beco ou na rua oscar wilde eu me sinto bem, talvez no prédio fotográfico wanda que descobri depois de cantar vinte minutos.

finjo ser franciscana, mas uso um vestido branco e verde, rosa, amarelo e vermelho. como pastel, laranjada, ligo e digo alemão, alemão fajuto querendo que fosse árabe. três palavras e um nome que é substantivo.

wo ist ich, Sieg?

no topo da cidade com os olhos fechados
sieg